Calcário: o que é, como se forma e como é extraído e processado
Calcário é uma rocha sedimentar formada principalmente por calcita, o carbonato de cálcio (fórmula CaCO₃). É uma das rochas mais usadas pela indústria: vira cimento, cal, corretivo de solo, brita, carga mineral para plásticos e tintas, ração animal e fundente na siderurgia. Quando a rocha tem muito magnésio, na forma do mineral dolomita, passa a ser chamada de calcário dolomítico ou dolomito.
Este guia explica o que é o calcário, como ele se forma, quais são os tipos, como é extraído na pedreira e como é processado para chegar a cada produto, com os equipamentos de cada etapa e números de consumo publicados por órgãos técnicos brasileiros.
Resumo rápido
- Fórmula: CaCO₃ (calcita); a calcita pura tem 56% de CaO.
- Tipo de rocha: sedimentar, quase sempre de origem marinha e orgânica.
- Tipos: calcítico, magnesiano e dolomítico, conforme o teor de MgO.
- Extração: lavra a céu aberto, com perfuração e desmonte por explosivos.
- Processamento: britagem e peneiramento; moagem para pó; calcinação para cal.
- Maior consumo no Brasil: cimento, seguido do calcário agrícola.
O que é calcário
Calcário é a rocha; calcita é o mineral que a compõe. A calcita é um carbonato de cálcio de dureza 3 na escala de Mohs, ou seja, risca com uma lâmina de aço, e reage com ácido liberando gás carbônico. Calcários puros são claros, de branco a cinza; impurezas como argila, sílica e óxidos de ferro dão tons amarelados, acinzentados ou escuros.
Quando parte do cálcio é substituída por magnésio, forma-se a dolomita, CaMg(CO₃)₂, um pouco mais dura (3,5 a 4 na escala de Mohs). Rochas com muita dolomita são os calcários dolomíticos. A diferença entre os dois tipos muda o uso, sobretudo na agricultura, e é detalhada no guia calcário dolomítico x calcítico.
Calcário é que tipo de rocha?
Sedimentar. A maior parte do calcário existente se formou no fundo de mares antigos, a partir do acúmulo de conchas e esqueletos de organismos marinhos ricos em carbonato de cálcio, como corais, moluscos e algas, e também por precipitação química do carbonato dissolvido na água. Com o soterramento e a compactação, esse sedimento virou rocha. Quando o calcário é submetido a calor e pressão, recristaliza e se transforma em mármore, que é uma rocha metamórfica.
Tipos de calcário
| Tipo | Teor de MgO | Usos mais comuns |
|---|---|---|
| Calcítico | Abaixo de 5% | Cimento, cal, siderurgia, ração animal, carga mineral |
| Magnesiano | 5% a 12% | Corretivo de solo |
| Dolomítico | Acima de 12% | Corretivo de solo com fornecimento de magnésio, vidro, filler |
A classificação acima é a usada em agronomia no Brasil, segundo material técnico da Embrapa. Além do magnésio, a indústria também separa os calcários pela pureza: para usos metalúrgicos e químicos, por exemplo, o calcário deve ter menos de 1% de alumina e menos de 2% de sílica, segundo o CETEM.
Para que serve o calcário

O calcário entra numa lista longa de produtos. Os números abaixo vêm de publicações do CETEM e do antigo DNPM, hoje ANM, e mostram o peso de cada uso.
| Uso | Como o calcário entra | Referência de consumo |
|---|---|---|
| Cimento Portland | Principal matéria-prima do clínquer | Cerca de 1,4 t de calcário por tonelada de cimento (CETEM) |
| Cal virgem e hidratada | Calcinado em fornos a cerca de 900–1.000 °C | Cerca de 1,7 a 2,0 t de calcário por tonelada de cal (CETEM) |
| Corretivo agrícola | Moído fino, neutraliza a acidez do solo | Cerca de 23 Mt em 2008 (DNPM) |
| Brita e agregados | Britado e peneirado | Cerca de 10% da brita brasileira vem de calcário e dolomito (DNPM, 2004) |
| Carga mineral (GCC) | Moído a pó fino para papel, plástico e tinta | Plásticos recebem de 15% a 30% em peso de carbonato (CETEM) |
| Siderurgia | Fundente no alto-forno | Exige no mínimo 49% de CaO e granulometria de 20 a 49 mm (CETEM) |
| Ração animal | Fonte de cálcio | Cerca de 3% de CaCO₃ na ração de frango de corte (CETEM) |
Segundo o DNPM, a produção brasileira de calcário em 2008 foi de cerca de 114 milhões de toneladas, das quais cerca de 74 milhões foram para cimento e 23 milhões para uso agrícola. São dados antigos, mas mostram a proporção entre os usos.
Como o calcário é extraído
Quase todo o calcário é lavrado a céu aberto, em pedreiras. As etapas são as mesmas de uma pedreira de brita:
- Remoção do capeamento: retirada do solo e da rocha alterada que cobrem o calcário. É o principal custo da lavra a céu aberto.
- Perfuração e desmonte: furos carregados com explosivo fragmentam o maciço em bancadas.
- Carregamento e transporte: escavadeiras e caminhões levam os blocos até a britagem.
- Lavra seletiva: quando há camadas de pureza diferente, cada uma é enviada para o produto adequado.
No Brasil, o calcário para corretivo de solo pode ser lavrado sob o regime de licenciamento, previsto na Lei 6.567/1978. Como em qualquer mineração, a operação depende de título junto à ANM e de licença ambiental.
Como o calcário é processado

O processamento depende do produto final. A britagem é comum a todos; a partir dela, os caminhos se separam.
| Produto | Etapas | Equipamentos típicos |
|---|---|---|
| Brita de calcário | Britagem primária e secundária, peneiramento | Britador de mandíbulas e britador de impacto |
| Corretivo agrícola | Britagem e moagem até a granulometria exigida pela legislação | Britador de mandíbulas, moinho de martelos ou moinho de bolas, peneira |
| Matéria-prima para cimento | Britagem, pré-homogeneização e moagem de cru | Britadores, moinho de bolas ou vertical |
| Cal | Britagem e peneiramento em faixa para o forno, calcinação, hidratação | Britador de mandíbulas, peneira, forno de cal |
| Carbonato de cálcio moído (GCC) | Britagem, moagem fina a seco e classificação | Moinho pendular (Raymond), vertical ou ultrafino |
Como o calcário é pouco abrasivo, o britador de impacto costuma ser a melhor escolha na rebritagem: produz grão cúbico com baixo custo de peças. Em calcários com muita sílica, o britador cônico volta a ser considerado. O porquê está no guia de tipos de britadores, e a moagem, no guia de moagem e cominuição.
Calcinação: do calcário à cal
Na calcinação, o calcário é aquecido em forno até liberar o gás carbônico: CaCO₃ → CaO + CO₂. A reação começa por volta de 900 °C, e a perda de massa chega a cerca de 44% na calcita pura. Por isso são necessárias cerca de 1,7 a 2,0 t de calcário para cada tonelada de cal. O forno exige pedra em faixa granulométrica estreita, o que torna o peneiramento depois da britagem uma etapa crítica.
Perguntas frequentes
Qual é a fórmula do calcário?
O calcário é formado principalmente por calcita, cuja fórmula é CaCO₃. O calcário dolomítico contém também dolomita, CaMg(CO₃)₂.
Qual a diferença entre calcário e mármore?
Os dois são formados por carbonato de cálcio, mas o calcário é sedimentar e o mármore é metamórfico: é calcário recristalizado por calor e pressão, o que lhe dá cristais maiores e permite o polimento.
Calcário e cal são a mesma coisa?
Não. A cal é obtida pela calcinação do calcário em forno: o carbonato perde o CO₂ e vira óxido de cálcio (cal virgem), que depois pode ser hidratado (cal hidratada).
Qual britador usar para calcário?
No primário, o britador de mandíbulas; na rebritagem, o britador de impacto, porque o calcário é pouco abrasivo. Para pó fino, moinho de martelos, pendular, vertical ou de bolas, conforme a finura. Veja os modelos em britadores e moinhos.
Conclusão: o produto final decide o processo
Calcário é uma rocha de carbonato de cálcio, formada no fundo de mares antigos, com tipos que variam pelo teor de magnésio e pela pureza. A extração é semelhante à de qualquer pedreira; o que muda é o processamento, que vai da simples britagem para brita até a moagem fina para carbonato de cálcio e a calcinação para cal. Defina primeiro o produto e a especificação; os equipamentos vêm depois.
Vai britar ou moer calcário?
Informe o uso final, a capacidade e a granulometria desejada. A equipe técnica da MR indica britadores, moinhos e peneiras para a sua linha de calcário.
Sobre este guia
Escrito pela equipe técnica da MR (Shanghai Mountain River Machinery), fabricante de britadores e moinhos. Os dados de composição, usos e consumo vêm de publicações do CETEM e do DNPM, hoje ANM, e a classificação por MgO, de material técnico da Embrapa; os anos de referência estão indicados no texto. Informações conferidas em 30 de outubro de 2026.
Referências e fontes
- CETEM — Rochas e Minerais Industriais, cap. 16: Calcário e dolomito: mineralogia, formação, lavra, processamento, usos e especificações.
- DNPM/ANM — Calcário agrícola (2013): produção de calcário em 2008 e legislação do corretivo agrícola.
- Embrapa — Documentos 37 (2004): classificação do calcário pelo teor de MgO.
- DNPM/ANM — Sumário Mineral 2004, Agregados: participação do calcário na produção de brita.
