Tipos de brita: tamanhos (0, 1, 2, 3 e 4) e usos de cada uma
Os tipos de brita mais vendidos no Brasil são o pó de pedra, o pedrisco (brita 0), a brita 1, a brita 2, a brita 3 e a brita 4, além do rachão e da bica corrida. Cada nome corresponde a uma faixa de tamanho de grão, e cada faixa tem usos próprios: a brita 1 é a mais usada em concreto, o pedrisco em pré-moldados e asfalto, e as britas maiores em drenagem, lastro e bases.
Um ponto que quase ninguém explica: os limites em milímetros de cada número variam conforme a fonte e a pedreira. Este guia mostra as faixas usadas pelo SINAPI e por material técnico de engenharia, os usos de cada tipo, como cada brita sai da usina de britagem e o que pedir ao fornecedor para não comprar um material diferente do que o projeto pede.
Tabela rápida (faixas mais citadas)
- Pó de pedra: abaixo de 4,8 mm.
- Pedrisco ou brita 0 (brita zero): 4,8 a 9,5 mm.
- Brita 1 (brita nº 1): 9,5 a 19 mm (algumas fontes usam 12,5 a 19 mm).
- Brita 2 (brita nº 2): 19 a 38 mm no SINAPI; 19 a 25 mm em parte do mercado.
- Brita 3: 38 a 50 mm no SINAPI; 25 a 50 mm em parte do mercado.
- Brita 4: cerca de 50 a 70 mm ou mais.
- Rachão: pedras grandes, da ordem de 100 a 150 mm ou mais.
O que é brita
Brita, ou pedra britada, é o agregado obtido pela britagem de rocha. Diferente do seixo e da areia natural, que já saem da natureza no tamanho final, a brita é fabricada: a rocha é desmontada na pedreira, reduzida em britadores e separada por tamanho em peneiras vibratórias. Por isso os grãos são angulosos, o que melhora o travamento entre eles no concreto e no pavimento.
No Brasil, a maior parte da brita vem de granito e gnaisse. Segundo o Sumário Mineral de 2004 do então DNPM, hoje ANM, essas rochas respondiam por 85% da produção, calcário e dolomito por 10% e basalto e diabásio por 5%. O mesmo levantamento indicava que cerca de 70% da brita ia para concreto e outras misturas com cimento e 30% para misturas asfálticas e bases de pavimento.
Brita, seixo e cascalho são a mesma coisa?
Não. Seixo e cascalho são pedras arredondadas por rios, extraídas já soltas. A brita é pedra quebrada em britador. O seixo também pode ser britado para virar brita, como fazem várias usinas da MR; nesse caso, a britagem precisa dar forma cúbica a uma pedra que chega lisa e arredondada.
Tamanhos de brita: a tabela e as diferenças entre fontes

O gráfico compara as faixas de duas referências públicas: os insumos do SINAPI, base de custos usada em orçamentos de obras públicas, e um material didático de agregados da UFPR. Pó de pedra e pedrisco coincidem; a partir da brita 1, os limites começam a divergir.
| Tipo | SINAPI (mm) | Material didático UFPR (mm) | Observação |
|---|---|---|---|
| Pó de pedra | — (sem faixa no nome do insumo) | 0,5 a 4,8 | Faixa e teor de finos variam entre pedreiras |
| Pedrisco / brita 0 | 4,8 a 9,5 | 4,8 a 9,5 | Faixa consensual |
| Brita 1 | 9,5 a 19 | 12,5 a 19 | A mais usada em concreto |
| Brita 2 | 19 a 38 | 19 a 25 | Principal divergência entre fontes |
| Brita 3 | 38 a 50 | 25 a 50 | Depende do corte da brita 2 |
| Brita 4 | — | — | Comércio cita cerca de 50 a 70 mm |
| Rachão | — (pedra de mão) | 100 a 150 | Pedra grande para arrimo e gabião |
| Bica corrida | — | — | Material direto do britador, sem peneirar e sem graduação definida |
Por que os números não batem?
Brita 0, 1, 2, 3 e 4 é uma nomenclatura comercial, não uma classificação de norma. Cada pedreira corta as faixas de acordo com as telas que tem nas peneiras e com o que o seu mercado pede. A norma de agregados para concreto, a ABNT NBR 7211, não fala em “brita 1”: ela especifica o agregado graúdo pela distribuição granulométrica, com limites em peneiras padronizadas.
Na prática: quando o projeto ou a concreteira especificar o agregado, peça ao fornecedor a curva granulométrica do produto, e não apenas o número da brita. Dois materiais vendidos como “brita 2” podem ter tamanhos máximos diferentes.
Usos de cada tipo de brita
| Tipo | Usos mais comuns |
|---|---|
| Pó de pedra | Blocos de concreto e pré-moldados, massa asfáltica, assentamento de pisos intertravados e, depois de classificado, areia de brita |
| Pedrisco / brita 0 | Blocos e pré-moldados, lajes pré-fabricadas, concreto de peças finas e misturas asfálticas |
| Brita 1 | Concreto estrutural de vigas, pilares e lajes, concreto usinado, pisos e drenos |
| Brita 2 | Concreto de fundações e peças mais robustas, pisos de maior espessura |
| Brita 3 | Lastro de brita em ferrovias, drenagem, aterros e bases; pouco usada em concreto comum |
| Brita 4 | Fossas e sumidouros, gabiões, drenagem e reforço de subleito |
| Rachão | Muros de arrimo, gabiões, enrocamento e base de pavimentação |
| Bica corrida e brita graduada | Bases e sub-bases de estradas e pátios, regularização de terreno |
A escolha final para concreto depende do projeto estrutural: o tamanho máximo do agregado precisa ser compatível com o espaçamento das armaduras e a espessura da peça. Essa definição é do engenheiro responsável.
Como cada brita é produzida na usina

Todas as britas de uma pedreira saem da mesma rocha. O que separa uma da outra é a peneira: cada deck tem uma tela com abertura definida, e o material retido entre duas telas forma um produto. O que fica acima da tela mais grossa volta ao britador.
Por isso a lista de produtos de uma usina é decidida no projeto. Veja três exemplos de usinas fornecidas pela MR, com as faixas que cada cliente escolheu:
| Usina | Faixas produzidas (mm) | Equivalência comercial aproximada | Caso |
|---|---|---|---|
| Basalto, 200–250 t/h | 0–10, 10–19, 19–25, 25–38 | Pó e pedrisco, brita 1, brita 2 (corte curto), brita 2/3 | Ver caso |
| Seixo de rio, 100–150 t/h | 0–5, 5–10, 10–19, 19–31,5 | Pó, pedrisco, brita 1, brita 2 | Ver caso |
| Seixo rolado, 200 t/h | Três famílias, de 0–3 a 0–50 | Do pó à bica corrida | Ver caso |
O britador primário, normalmente um britador de mandíbulas, faz a primeira redução; o britador da última etapa define a forma do grão. Qual britador usar em cada etapa está no guia de tipos de britadores.
Repare que nenhuma usina usa exatamente os mesmos cortes. É mais uma razão para pedir a curva granulométrica. O processo completo, do desmonte à expedição, está no guia sobre etapas e equipamentos da britagem.
O que define a qualidade da brita
- Forma do grão: grãos cúbicos travam melhor e pedem menos cimento e asfalto que grãos lamelares. A forma depende muito do britador da última etapa; britadores cônicos com câmara cheia e o VSI melhoram a cubicidade. Veja o britador cônico.
- Teor de pó: finos aderidos ao grão prejudicam a aderência da pasta; peneiramento eficiente e, quando preciso, lavagem resolvem.
- Resistência da rocha: medida por ensaios como a abrasão Los Angeles; especificações de obras costumam fixar um limite máximo.
- Regularidade: a mesma curva granulométrica de lote para lote, resultado de peneiras bem dimensionadas e mantidas.
Perguntas frequentes
Brita 0 e pedrisco são a mesma coisa?
Sim, na maior parte do mercado. O próprio SINAPI descreve o insumo como “pedra britada n. 0, ou pedrisco”, de 4,8 a 9,5 mm. Algumas pedreiras ainda vendem um “pedrisco misto”, com pó junto, por isso vale conferir a especificação.
Qual é a melhor brita para concreto?
A brita 1 é a mais comum em concreto estrutural de obras residenciais e comerciais; a brita 0 entra em peças finas e pré-moldados, e a brita 2 em peças mais robustas. A decisão final depende do traço e do projeto estrutural.
Qual brita usar em fossa e sumidouro?
Britas graúdas, como a 3 e a 4, são as mais usadas em camadas filtrantes e de drenagem, porque deixam mais vazios para a passagem da água. Siga o que o projeto sanitário especificar.
O que é bica corrida?
É o material que sai do britador sem passar por peneira, com grãos de vários tamanhos misturados, do pó a pedras maiores. É barata e serve para base de estradas, pátios e regularização de terreno, mas não para concreto.
O que é brita graduada simples (BGS)?
É uma mistura de britas e pó em proporções controladas, com curva granulométrica definida, usada em bases e sub-bases de pavimentos. Diferente da bica corrida, ela é dosada a partir de produtos peneirados.
Conclusão: compre pela curva, não só pelo número
Brita 0, 1, 2, 3 e 4 ajudam a conversar com o fornecedor, mas não garantem o tamanho. Use a tabela deste guia como ponto de partida, confirme a curva granulométrica e escolha a brita pelo uso: concreto, pré-moldado, asfalto, drenagem ou base. Para quem produz, as mesmas faixas definem as peneiras e os britadores da usina.
Vai produzir brita?
Informe a rocha, a capacidade e as faixas que o seu mercado compra. A equipe técnica da MR propõe o fluxograma, os britadores e as peneiras para cada produto.
Sobre este guia
Escrito pela equipe técnica da MR (Shanghai Mountain River Machinery), fabricante de britadores e equipamentos para usinas de brita. As faixas de tamanho foram levantadas em fontes públicas listadas abaixo; os exemplos de produto vêm de usinas fornecidas pela MR na América Latina. Informações conferidas em 30 de outubro de 2026.
Referências e fontes
- SINAPI, insumos de pedra britada (consulta via Orçamentor): faixas da pedra britada n. 0 a n. 3.
- UFPR — TC-031, Agregados: classificação comercial e usos de pó de pedra, pedrisco, britas 1 a 3 e rachão.
- AECweb — Brita 4 e 5: faixas comerciais da brita 4 e 5.
- DNPM/ANM — Sumário Mineral Brasileiro 2004, Agregados para construção civil: rochas de origem e destino da brita.
